
Tomara Clarice, que, ao voltares da Espanha, consigas a façanha de vê-la de pé. É preciso ter mais que fé. Um café ajudará a aliviar esse frio. Se for descafeinado, melhor, vai combinar com tudo por aqui. Com o desumano, o desmantelo e principalmente com o desnecessário. Força na camisa. Um gardenal, um rivotril. Pronto, ta tudo cor de anil. Quanto à puta, essa nunca mais pariu. Disseram que é protesto. Amanhã vou lá ver, atesto e te escrevo. Detesto notícia pela metade. (...) Ih, fui lá hoje. É verdade.
Tomara Yelena, que Deus tenha pena, cocar, tambor e amor pelas criaturas que criou. Que conserve em banho-maria a ave e a graça. Que encere o chão com graxa e encene sobre ele a Paixão dos homens.
Caso contrario...
Tomara Yelena que gostes da tua cor morena. Por que a partir de agora, sombra será um problema. “As árvores somos nozes”. Ouço vozes, mas de quem? Ouves também? É difícil, não me resta mais nem um vintém pra suborná-lo. Esse fundo não tem mais poço. Tento rezar, mas minha fé ta só o osso.
Ai! Meu pescoço. Acho que me injetaram algo. Minha vista ta embaçada. Desgraçada!
Corram...corram, procurem abrigo. Esqueçam do umbigo, ele já se foi. Ao redor da morte, o que respirar é sorte.
Tomara Irene... Tomara Clarice... Tomara Yelena. Tamarineira.
Salvem a Ama-Zona!
Salvem o Perneta Terra!