
Imagem: Daniel Araújo
Ah, que belo feriado. Vamos todos celebrar a causa maior desse dia 15 de novembro: 120 anos da compra, ou melhor, da Proclamação da República no Brasil. Meu deus, quanta gente no Shopping. Isso deve ser alguma comemoração, óbvio. Uma data desta certamente não passaria em branco, nem por um Shopping Center. Vários pais com seus filhos, muito bem, estão mostrando a eles o valor da nossa história, o peso da nossa bandeira. Olha lá! Fogos, helicóptero. Que maravilha. Quanta emoção. Veja, alguém vem saindo dele. De certo um representante do exército, esculpindo o peito cheio de medalhas, com a missão e a honra de relembrar nosso memorável Marechal Deodoro da Fonseca. Bravo, bravíssimo! Já posso ver sua grande barba com os pelos brancos de tantas conquistas. Vejo também... Opa! O que aquilo? Roupa vermelha? Chapéu vermelho? Carregando um saco... Ele disse: “Ho, ho, ho?!”
É gente. Era realmente Papai Noel que havia chegado. O proclamador do consumo. “Ho, ho, ho.” Ha, ha, ha. E a república? Ah, deixa pra lá, o shopping ta em promoção mesmo.
“15 de novembro, dia da premiação do “Troféu Raça Negra”, que premiou os artistas nacionais negros que mais se destacaram em 2009.”
Aí sim, pelo menos esse prêmio vai justificar a data. Nada mais justo que homenagear nossas personalidades negras. O símbolo maior de um povo tão sofrido na história e que carrega até hoje suas marcas. Agora sim. Bravo! Bravíssimo. Exemplos de que o preconceito não vence a arte. Zumbi, Cruz e Souza, Cartola, Baden Powel, os Miltons: Gonçalves e Nascimento. Todos esses com certeza serão lembrados. Faço questão de ver essa premiação do começo ao fim. Vamos lá, vai começar. Cerimônia de gala, hein? Um momento só já vai anunciar o homenageado. Meu deus! De novo não! Duas tapas na história do mesmo país e no mesmo dia?
“O Troféu Raça Negra tem o grande prazer de homenagear... Michael Jackson.”
AI MEU OVO! Essa é a frase que melhor expressa esse fato. Feito para premiar personalidades negras e brasileiras, o Troféu homenageia um americano que tinha vergonha de ser negro. Parabéns! Extremamente coerente, disse Ed. Mota. O mesmo que já declarou que prefere viver fora do país. Maravilha. Queria dizer que também acho tudo isso muito coerente.
Um ser coerente segundo os novos conceitos:
- Oi! Meu nome é Balaio Furado, sou judeu e tenho um quadro de Hitler no meu quarto. Quer ser eu amigo?
Hi, Hitler!
Salvem a Ama-zona!